Nomeando um mundo em transformação: diferentes concepções de crise e o sofrimento de juventudes diante do aquecimento do planeta
Palavras-chave:
Mudança Climática, Meio Ambiente e Saúde Pública, Juventudes, CriseResumo
Este ensaio teórico busca investigar como diferentes concepções de crise no campo da saúde mental - especialmente na psicanálise e na atenção psicossocial - podem contribuir para a compreensão das formas de nomear as mudanças climáticas e para a construção de práticas de cuidado voltadas às juventudes, uma das populações mais atingidas pelo aquecimento global. A partir da análise de três paradigmas de crise: a crise do ponto de vista capitalista e em paralelo manicomial, a crise na psicanálise associada à teoria do trauma e a crise como possibilidade de transformação na atenção psicossocial, oferecemos pistas para repensar a escuta clínica em tempos de colapso ambiental. Defende-se a necessidade de uma escuta implicada, atenta à posição social do analista e às marcas coloniais da teoria psicanalítica. Se os diferentes paradigmas de crise nos levam a distintas maneiras de nomeação e escuta do sofrimento, propõe-se o acolhimento destes impasses como pistas para a reinvenção da clínica e de nossa teoria diante das angústias produzidas pela crise climática.
